DÁ GOSTO TRABALHAR

Sempre é bom contar com um local confortável para tarefas inesperadas






As exigências do mundo corporativo são cada vez maiores. Levar serviço para casa se tornou algo muito comum para muitos profissionais e não somente para os chamados workholics. Para reduzir um pouco o impacto negativo de trabalhar fora do expediente normal, o melhor é contar com um local confortável, mesmo que seja somente para navegar na Internet, enviar uma mensagem eletrônica, estudar ou atualizar as notícias na rede social preferida. A exigência de uma certa dose de silêncio vale para todas essas tarefas, por isso o arquiteto Billy Scatena aconselha a criação do home office num espaço isolado da casa quando possível, preferencialmente longe das áreas sociais e de lazer. "Em outros casos, nos quais não há como separar este ambiente, é preciso ao menos não aproximá-lo aos locais de alta permanência, como salas de estar, home theaters e, claro, cozinhas e áreas de serviço. Onde o barulho é mais alto e constante", ressalta Billy.

A arquiteta e designer de interiores Renata Coppola também cita o isolamento como uma necessidade. "A maior dificuldade é arranjar um cantinho da casa com boa iluminação, de preferência natural, e que exista possibilidade de estar desvinculado a ambientes da residência, onde a concentração possa ser afetada", admite. Ela acredita que o ideal é procurar uma área que proporcione um determinado afastamento. No entanto, um espaço do living com a escolha de móveis que conversem com a decoração existente fica charmoso e descontraído, em sua opinião.

Em relação aos acabamentos, Renata explica que a escolha dos itens do home office acompanha o contexto das peças existentes da casa. "Paredes coloridas, imagens, texturas, devem ser uma opção livre e que tampouco agrida ou interfira no trabalho do morador". Segundo ela, um erro comum, é criar paredes multicoloridas. "Para uma nutricionista, muitas vezes, uma parede vermelha não será a melhor opção, pois essa cor quente remete à sensação de fome e inevitavelmente dificultaria seu trabalho". O melhor então é traçar o perfil exato do usuário e estabelecer os pontos que ajudariam ou atrapalhariam sua rotina de trabalho.


A residência de 250m2 foi especialmente reformada pela arquiteta e designer de interiores Cris Negreira para atender às necessidades da cliente, solteira, artista plástica e psicóloga infantil. A inspiração do projeto se baseou no estilo jovem da proprietária, com gosto apurado para artes, cores fortes e artesanatos brasileiros, além de gostar de elementos naturais, como madeira, tijolo e pedra.

O home office ganhou uma decoração mais suave, com móveis brancos e parede azul na área da bancada de trabalho. "Ela queria morar com conforto, mas trabalhar e receber amigos também", explica Cris. "A prioridade foi conciliar o ateliê dela com ambientes confortáveis de se viver e compartilhar com os amigos".

Cris Negreira
www.ondesignweb.com.br

O casal de empresários, que costuma levar serviço para casa, solicitou um ambiente que fosse uma continuidade de seus escritórios, com todos os itens necessários de trabalho. A ideia era possibilitar também que o espaço fosse usado para pernoite eventual de visita. "Desta forma a exigência deles para a elaboração do home office foi pautada em uma única estação de trabalho com dois pontos individualizados para laptop", explica. Complementam o espaço toda uma infraestrutura de apoio com estantes fechadas, que acomodam os equipamentos e não ficam à vista, e uma chaise com bicama em couro programada para receber os visitantes.

Outra preocupação: evitar fios à mostra – os clientes simplesmente abominam. Renata optou por embutir tomadas e ponto de rede no caso do roteador interromper seu funcionamento. "Uma abertura no tampo da mesa e apoio de proteção de vidro foi pensada para direcionar toda a fiação, que segue embutida na estrutura da mesa para as estantes, local dos pontos de tomada", ressalta.

Renata Coppola
www.renatacoppola.com.br


O projeto assinado pela arquiteta e designer Sabrina Estrella buscou recuperar o espaço que contava com uma belíssima escada em granitina do arquiteto Oscar Niemeyer e pé direito de mais de seis metros, considerado por ela os principais obstáculos para a execução do trabalho.

Para acompanhar o requinte original do imóvel, ela lançou mão de madeira nos painéis e tecidos, como linho e camurça, para imprimir um toque acolhedor. "Usei ainda espelhos e iluminação com mistura de fluorescentes e pontuais para criar um diferencial", ressalta. O home office ganhou em beleza e materiais similares para dar a sensação de continuidade entre os espaços.

Sabrina Estrella
sabrinaestrellaarquitetura@gmail.com




Ao aproveitar um espaço de passagem de forma funcional, a arquiteta Ana Vidal conseguiu oferecer ao casal com um filho pequeno, uma opção para o marido trabalhar após o expediente próximo de sua família.As principais dificuldades encontradas para realizar o projeto foram conciliar a praticidade que o ambiente exige com a decoração da residência.

"A criação de uma estante biblioteca, que expõe livros, objetos de arte e viagens do casal, solucionou o problema". Os itens de escritórios, normalmente mais desarrumados, ficam separados no armário inferior. Em sua opinião, é preciso prever uma área específica para guardar esse tipo de "bagunça". Além disso, bancada, cadeira confortável e iluminação adequada e direcionada são requisitos básicos.

Ana Vidal
ana@vsarquitetura.com.br



O jovem cliente, que ainda reside na casa dos pais, precisava contar com certa privacidade para trabalhar. Por essa razão, a arquiteta Paloma Yamagata buscou valorizar e aproveitar da melhor forma possível cada ponto do dormitório, local escolhido para abrigar o home office. A utilização de móveis desenhados com exclusividade se mostrou a única opção para atender esse desejo. "Como se trata de um rapaz, optei por um tom de cinza-chumbo na parede e a aplicação de uma plotagem com frases de uma música de escolha do morador", afirma Paloma.

Os móveis, laqueados em branco se mostraram a escolha correta por tornar mais natural a integração entre o home office e o dormitório. "Uma cama baixa em marcenaria com acessórios discretos remetem a essa proposta", argumenta.


Paloma Yamagata
www.yamagataarquitetura.com.br


O trabalho exigiu uma completa reforma do apartamento. Os arquitetos Billy e Daniella Scatena adaptaram o imóvel de 80 m2 para um advogado, que precisava de um espaço para estudar e trabalhar em casa. "Para isso tivemos que reestruturar a área social, dividindo-a somente através de móveis, sem paredes em três diferentes ambientes, porém integrando-os, que seriam a sala de jantar, de estar e o home office", explica Billy.

O espaço conta com cores mais sóbrias nas paredes e móveis, por causa do estilo de vida e do gosto do cliente, e piso em cimento queimado. Outro cuidado que se mostrou necessário: reparos na iluminação e rede elétrica. Como o apto tinha um pé direito muito baixo, foi necessário adotar um forro central com sanca invertida, criando uma iluminação mais eficiente em complemento às luminárias de embutir.

Billy e Daniella Scatena
www.billyscatena.com.br